Reuniões do Grupo de Estudos Pindorama

Há vários anos o grupo estuda, à luz da Antroposofia, a missão do Povo Brasileiro.

Formado para tentar responder às perguntas:
       O que é – do ponto de vista espiritual – o Brasil?; 
       Qual a sua tarefa no contexto mundial?; 
       Quais são as características que diferenciam o povo brasileiro de outros povos?

O primeiro Grupo de estudos Pindorama, constituído ainda na década de 80, estudou inicialmente os índios e africanos e suas contribuições à cultura brasileira e em seguida – procurando uma base antroposófica mais sólida – associou a estes estudos o livro “A Missão da Alma dos Povos”, de Rudolf Steiner.

De 2001 a 2007, o grupo Pindorama se reuniu mensalmente e chegou a ter muitos participantes assíduos. Envolveu, em algumas ocasiões aproximadamente 50 pessoas, interessados em Antroposofia e atuantes em instituições antroposóficas ou em universidades como professores, médicos, marceneiros, euritmistas ou trabalhadores sociais de diferentes etnias e miscigenações como portugueses, africanos, alemães, mexicanos, espanhóis, árabes, suíços, italianos, franceses, japoneses e índios.

Pensou-se em pesquisar neste estudo, por alguns anos, temas relevantes ao povo brasileiro em seus vários aspectos: expressões do racismo, colonialismo e nacionalismo, sociologia, filosofia, alimentação, religiosidade, artes e lendas, entre outros. No início dos estudos tentou-se entender a alma do brasileiro a partir da miscigenação de povos diferentes e da mistura de várias raças: índios, portugueses, africanos, italianos, alemães, russos, japoneses, árabes, judeus entre outros. O grupo estudou e pesquisou os fatores de cada povo, os elementos geográficos dos territórios, as qualidades hereditárias da população,. o "temperamento", que se exprime nos costumes, no folclore e na índole do povo.

Na abertura destes estudos, Ute Craemer abordou, a partir do livro “A Missão dos Povos” de Rudolf Steiner, a formação do espírito do povo e, em linhas gerais, o que poderia ser a missão do povo brasileiro.
O índio Kaká Werá Jecupé foi convidado para falar sobre seu povo e contou a história das nações indígenas: Tapuia, Guarani, Cariri, Krenak, Pataxó. Kaká divulga a cultura indígena por meio de cursos, palestras e vivências onde aborda a influência da cultura Tupy na alma brasileira. Segundo ele, a humanidade precisa ligar-se aos reinos da terra, da água, do fogo, das plantas e fazer a conexão com a natureza. “Cada nação, grupo, família e lugar tem sua entidade protetora”. A missão da alma brasileira é ativar a memória do ser, entrando em contato com a natureza e os nandejaras (seres elementais). “No Brasil foi semeada a base do povo dourado, que é a próxima etapa da evolução humana. Sua missão é fazer a síntese das raças: norte-branca; sul-negra, leste-amarela; oeste-vermelha”. E assim desenvolver uma fraternidade universal.

Os estudos avançaram e abordaram aspectos da história de Portugal e dos grandes descobrimentos, a Ordem dos Templários, os povos europeus, asiáticos, árabes e judeus. Convidados, como os professores Peter Guttenhoefer, Juarez Xavier e Valmir Damasceno, deram palestras sobre a alma do povo russo, África, a história dos afro-desentendes e povo banto, respectivamente. 

Alguns destes estudos resultaram em livros/apostilas. Uma das primeiras apostilas publicadas, Na procura da alma do Povo, teve a proposta de coletar e publicar o que já havia sido pesquisado, encorajando e incentivando pessoas a se manifestarem sobre o tema e os diversos aspectos gerados pelos estudos. A cultura indígena no livro Valorizando o Indio no currículo escolar, por exemplo, cuja proposta foi servir de base para professores das escolas Waldorf, abordou a educação das crianças indígenas; sons, música, ritmos, desenho de formas, brincadeiras, artesanato, agricultura, ritos de passagem e a Cosmovisão indigena com uma ampla bibliografia por ex. os livros de Kaká Werá: Terra dos Mil Povos e Tenondê e Espelho Índio, de Roberto Gambini. 
Um dos “produtos” dos estudos, o livro Revelando a África, teve como base capítulos do livro Invisible África como África, Coração do Mundo, , escrito por J. Lawrence V. Adler da África do Sul, que enfoca vários aspectos do que a África representa para o mundo, sob a luz da Antroposofia. 

Em algumas ocasiões encerraram-se os estudos com festa típica e apresentações artísticas do povo estudado. Desta maneira foram encerrados os trabalhos do povo africano (com apresentações de orixás do candomblé e sons de tambores), judaico (com música e dança), árabe (com dança do ventre) e japonês (com a cerimônia do chá e confecção de origamis).

Desde 2007 o grupo Pindorama se dedica a pesquisar a Língua brasileira (provérbios, literatura e origem e melodia das palavras). Durante as reuniões os integrantes assistiram a filmes falados em português arcaico e tupy e em dialetos africanos. O ano 2007 contou com a participação de especialistas e professores no tema. 

Livros podem ser adquiridos na Loja da Monte Azul (11) 5851-6574