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O
Beija Flor como o possível Representante do Povo do Brasil
Reflexões
pessoais do Dr. Michael Blaich sobre a relação das características geográficas
e humanas dos povos da América.
Palestra
– Encontro de 20/02/2011.
O beija flor é um pássaro muito pequeno, com sistema rítmico
muito forte, tem um coração rápido e sua vitalidade é também
muito forte. Consegue viver junto ao mar assim como nos Andes. Não morre quando
tem neve, hiberna, fica como que congelado e quando descongela volta a viver. Isto
acontece com insetos, mas com pássaros, não conheço outro exemplo como esse.
Além dessa capacidade de viver tanto em lugares
baixos como em altos, ele ocupa a América inteira e nós
que não somos clarividentes, nos
inspiramos nas idéias de “Steiner” que relaciona a América com o pássaro.
Olhando o condor, que é um pássaro muito vistoso e grande,
que representa os Andes, e
a águia, nos USA
que é também um pássaro imenso, que possui
uma visão absurdamente desenvolvida, somos levados a pensar que isso
deve representar algo bem significativo. Observando a área mais oriental(da América
do Sul) com características diferentes de todo o resto que tem uma direção
norte-sul muito marcante (região dos Andes), temos toda a Amazônia, O Brasil
até parte da Argentina, mas também
o Paraguai, Uruguai, parte da Bolívia, parte do Peru amazônico, parte da Colômbia,
da Venezuela amazônica e Guianas. Há um aspecto fundamental, citado por
Steiner que diz que aquilo que é físico, na realidade acaba morrendo, pois já
é um elemento em processo de morte.
O que temos que
nos perguntar centralmente é sobre a geografia humana,
porque o mundo vai virar aquilo que
o homem fizer dele, e isso é muito importante: o mundo vai ser aquilo que o Ser
Humano fizer dele! Não sei até que ponto o lado geográfico em si, que se
formou a partir do passado, tenha tanta importância. Steiner ligou a América
com a águia e com o sistema nervoso, e o lado oriental(Asia) com o boi que é
metabólico, enquanto na Europa e África predomina o sistema rítmico,
simbolizado pelo leão. Temos que
nos perguntar o que nessa geografia tão ampla representa também o Brasil que
está fora dessa linha norte sul, que tem esse rio imenso na Amazônia, em direção
horizontal e cuja característica humana é bem diferente do resto da América
do Sul. Tenho essa sensação embora nunca tenha feito um estudo ou um
levantamento, nunca comparei o povo brasileiro com outros povos de forma mais
apurada, nem da África, nem da Oceania da Sibéria ou da Europa, mas parto mais
daquilo que observo do que é a característica brasileira, da geografia humana.
Nesse sentido me parece bem diferente
dos países que falam espanhol, mas não tenho certeza se
em todos os sentidos ou se em parte, tanto o Uruguai como o
Paraguai e os outros povos fazem ou não parte daquilo que chamamos
característica do Brasil. Nas raízes sob dominância desta tendência
Norte-Sul ressaltam as forças das raízes dos povos,das suas culturas
originais. Desde o México até o sul eles mantiveram suas características
culturais, elas não foram dissolvidas totalmente pela presença dos europeus
que traziam, por assim dizer, a cultura da época. Pode-se dizer que os povos
locais têm a ver com os Arcanjos, enquanto que, digamos, aspectos da
época são de uma esfera acima, a esfera dos Arqueus, e o que vem deles tem a
ver com essa irradiação que vem da Europa para o mundo inteiro: alma da consciência
a partir da Inglaterra, a irradiação do Eu a partir da Europa central, a alma
da razão e da índole a partir da França, e a alma das sensações a partir
dos países mais ao sul como a Itália. Dá a impressão que nesses povos
andinos mais ocidentais, as raízes culturais e também as marcas dos povos se
mantiveram mais fortes, mantiveram a ocupação do seu espaço.
Sempre me impressionou uma comparação significativa que o
Thomas Goebels fez. Ele
comparou árvores hospedeiras de viscum álbum, planta parasita usada para fazer
o medicamento viscum álbum ou iscador, contra o câncer, na medicina antroposófica.
O viscum cresce em
várias árvores como a macieira, o pinho, a bétula ,o abeto e o carvalho.E
Goebels fez a comparação entre o crescimento do viscum na bétula e no
carvalho. A planta viscum álbum, é
esférica, por sua própria natureza. Quando é colocada para crescer na Bétula
o viscum manifesta essa forma esférica em todos os lugares da copa, em cima ou
em baixo, na periferia da copa ou no centro, ela sempre mantém a forma esférica.
No carvalho essa forma esférica é deformada se ela está perto da periferia da
copa, por exemplo. Na parte superior, perto do fim da copa, a forma em baixo é
redonda, mas no extremo oposto fica quase plana, acompanhando a copa do
carvalho. Ela acompanha, pois a forma da periferia da copa do carvalho (enquanto
que a bétula não impõe a sua força formativa em qualquer lugar). Se a planta
está em baixo da copa do carvalho, ela acompanha a forma das forças formativas
da copa dessa árvore. Thomas diz
que isso tem a ver com as forças formativas ocupadoras do espaço que chamamos
de marcianas. Tem a ver com as forças de Marte também chamado de continente
espiritual. Marte é feito de forças que ocupam o espaço espiritual por isso
se chama continente espiritual. Historicamente é feito de forças bélicas, de
agressividade. As capacidades do ser humano de belicosidade, auto-afirmação,
autoconsciência, autodeterminação e auto-estima estão relacionadas com forças
marcianas. Steiner também caracteriza o carvalho como marciano e a bétula como
planta venusiana. O carvalho com forças marcianas ocupa espaço enquanto que
com a bétula acontece o contrario, a bétula é elemento venusiano, não ocupa
espaço, oferece o espaço para ser ocupado.
Assim o homem é caracterizado com forças de Marte
e a mulher com forças de Vênus. A
mulher é capaz de receber um novo ser dentro do seu organismo, a criança que
vai crescendo dentro dela. As forças do
ser masculino projetam-se no espaço: o pênis, os órgãos genitais, os testículos,
ocupam o espaço externo ao corpo. Na mulher os órgãos genitais ficam
como que suspensos dentro do ventre
e eles como que criam espaço, sugam espaço. A força venusiana oferece ou suga
espaço, forma espaço. Essas duas forças se manifestam: a bétula que acolhe
espaço e o carvalho que ocupa espaço. O
viscum tem sua forma deformada de acordo com a forma da copa do carvalho,
enquanto que na bétula mantém sua forma, pois a bétula permite que o viscum
manifeste sua própria forma. Esse
ponto de vista também permite entender o brasileiro. Aquilo que tem talento de
se desenvolver aqui é o contrário daquilo que tem talento de se desenvolver
nos países andinos. A força de raiz desses povos se mantém até hoje, como se
percebe, por exemplo, nas línguas.
Aqui também na
Amazônia muitas línguas se mantêm até hoje. Mas no encontro com os europeus
os elementos culturais somem com uma rapidez tão grande que
mesmo os preservacionistas dos povos
brasileiros não conseguem manter, como os irmãos Vilas Boas, que com todo o
esforço e boa vontade não conseguiram manter aquilo
que são as raízes desses povos. Eles são rapidamente como que acolhidos
dentro daquilo que vai se formando aqui no Brasil.
Eu diria que aqui existe mais a força venusiana e lá mais a
força marciana. Isso talvez também
tenha a ver com os povos que do mundo inteiro vêm para cá e se assentam aqui.
Se olharmos raízes de povos, raízes de línguas e de
cultura, podemos pensar que assim como a planta tem raízes ela também tem
flores. E a flor é caracterizada pelo elemento oposto,
enquanto a raiz ocupa o seu espaço definido dentro da
terra, a flor na sua expressão máxima é pólen que se pulveriza (odor,
perfume...) que acaba se dissolvendo totalmente na esfera do
ar, é como um calor que permeia tudo, é como um perfume que é inalado e
socializado, não ocupa espaço. Essa é uma outra característica que têm,
me dá a impressão, os seres humanos que vão aqui se formando. Como reflexão,
pensemos aqui no herói Macunaíma criado por Mário de Andrade, que ele
chama de herói nacional, mas que no fundo é um ser que não tem personalidade,
que absorve tudo o que vem das pessoas e das circunstâncias, que é um
espertalhão, que faz tudo o que cabe ao interesse dele, mas não corresponde às
leis morais e éticas. Mas todo o povo tem o seu arcanjo e também os seus demônios,
não precisamos chamar Macunaíma de herói brasileiro, mas talvez ele
corresponda a uma das “sombras” que se desenvolvem aqui.
Vimos que aqui
todos os povos se integram sem demora. Os alemães vieram e não mantiveram as
suas raízes apesar do nazismo, a não ser por coisas como a oktoberfest que não
é expressão da verdadeira cultura do povo alemão, mas um folclore regado à
cerveja, apenas. O mesmo aconteceu com os japoneses que tentaram manter suas
características de raiz, que fizeram até colônias separadas em alguns
lugares, mas que estão sumindo. Parece que aqui tudo se dissolve! Assim como o
elemento central da raiz é o sal e o elemento característico das flores é o
enxofre, e o enxofre dissolve enquanto o sal cristaliza, o
Brasil parece se caracterizar mais como flor. A raiz é mais sensível às
forças telúricas, a flor é mais aberta às forças do universo: ao sol, às
estrelas, ao ar, ao calor, à luz e à água, que é tudo que é permeado e
determinado por forças cósmico-etéricas e que também tem relação com o
corpo astral e o corpo do Eu.
Diz-se, apesar de serem coisas complicadas de se falar, que o
Brasil é o país do futuro, isto naturalmente pode ser muito mal entendido, e
talvez seja o país do futuro para sempre, não que isso signifique que não vá
se realizando no presente. Na alma humana existe a memória como representante
do passado e os anseios, os propósitos e as metas como representantes do
futuro. Enquanto a memória tem a ver com
a força de raiz,os motivos, os propósitos e as metas tem a ver com flor,com o
futuro.
Podemos fazer uma comparação com os nossos membros: Rudolf
Steiner diz que esses são de substância espiritual dentro de forças físicas.
Os nossos membros só têm ossos porque a ocupação desse espaço físico
material vem da nossa cabeça, e a substância própria dos nossos membros é
puramente espiritual. São sólidos porque a nossa cabeça faz tudo parar, tem
força estática necessária para a nossa consciência que permeando o
metabolismo cria os ossos dos nossos membros, que têm solidez. Naturalmente é
difícil de falar certas coisas porque tudo pode ser muito radical, pode parecer
assim como na planta onde existe uma diferença radical entre flor e raiz,mas talvez
para entender as tendências entre um povo numa localidade e outro noutra,
ajuda. Novamente afirmo que não comparei este com nenhum outro povo de forma
minuciosa. Minhas considerações são fruto apenas
da observação que me vem repetidamente aqui no Brasil onde a impressão é a
de que aqui as coisas se dissolvem
assim como na flor existem as forças dissolutivas sulfúreas, e talvez por isso
a universalidade do nosso período da alma da consciência tenha mais facilidade
de se manifestar aqui porque não tem as forças arraigadas da raiz que
de alguma forma mantêm e ocupam o espaço, que existem como empecilho para que
aquilo que é cosmopolita possa se
manifestar.
Algumas Colocações no final da palestra:
Macunaíma é aquele que não tem caráter porque não é
caracterizado, é muito aberto.
Fala-se muito do malandro carioca e tudo isso tem a ver com
caricaturas, assim como Macunaíma também é caricatura, mas algo é verdadeiro
e é comum aos dois, é a plasticidade, a maleabilidade, o movimento,
acolhimento muito mercurial, aquilo que está disposto a se transformar, aquilo
que não é fixado.
Eu sinto o brasileiro, comparando com o alemão e com o francês
que conheço bem, como maleável, plástico
e aberto porque nos outros povos aparecem mais as forças de auto-afirmação, o
velho se manifesta mais. Aqui manifesta-se mais o movimento da vontade, aquilo
que é inconsciente mas que tem uma origem cósmica;aquilo que é velho já se
formou, já o metabolismo(a vontade) é novo.
Steiner diz que a substância dos nossos membros vem do
universo e eles são encaixados para dentro, são como raios que vêm do
universo, de todos os lados, e que se encaixam no nosso tronco. São de origem
absolutamente cósmica, representam o novo, o futuro. Podemos aqui recorrer ao
livro “Antropologia Geral” de Rudolf Steiner onde se
fazem as analogias das pernas com raios, do tronco com uma
meia lua e da cabeça com um círculo,
com um ponto central. Também o nosso Eu na nossa cabeça é central, e o físico
que é periférico: a calota
craniana. Em nossos membros, ao contrário, o Eu vem de fora, o astral vem de
fora, o físico está dentro (o osso).
Quanto a circulação do sangue, este, na periferia é
extremamente diluído e os capilares são extremamente finos e mesmo assim o
sangue se movimenta através deles. Depois vai se coletando cada vez mais em
vasos maiores, até chegar ao coração. O coração é o lado mais físico da
circulação, mas aquilo que representa o verdadeiro elemento da circulação
está na periferia, não está no coração: o coração é a cabeça da circulação.
Por outro lado existe também um sistema nervoso que permeia a
circulação, o coração e o metabolismo. Trata-se da medula espinhal e do
sistema nervoso autônomo (simpático e parasimpático). Através dessa inervação
vivenciamos o que ocorre dentro do nosso corpo. Tato, gravidade, movimento e
sensação vital são esses os sentidos proprioceptivos.Enquanto a percepção
do outro EU, a percepção do pensamento que o outro manifesta,sua linguagem e
seus sons nos projetam para fora, adentro de um mundo cultural, esses sentidos
proprioceptivos nos fazem vivenciar o que está na nossa vontade e dentro do
nosso corpo.
Os outros sentidos, os afetivos: sentido térmico, da visão,
da gustação, e da olfação, são intermediários entre os sentidos cognitivos
e os volitivos.
Na natureza externa, a América é relacionada com o pássaro,
Europa e a África são relacionadas com o leão e a Ásia e Oceania, com o boi
(ou vaca). A América do Norte tem como símbolo a águia e nos países andinos
o condor é o pássaro representante da região. Ambas, aves de grande porte, de
rapina e abutre, de visão extraordinariamente aguçada, que pairam nas alturas
e se precipitam sobre as presas. Ambos são pássaros que caracterizam o eixo
norte-sul. O Brasil e países vizinhos não estão dentro desse eixo norte-sul.
Tem a Amazônia e o Brasil inteiro na direção oeste-leste, e
nele, me parece se manifestar como já disse, mais as forças sulfurais ou de
flor. O elemento pássaro que lhe corresponde tem um vínculo mais próximo,mais
direto, mais envolvido com a natureza,ao contrário do condor e da águia,que
pairam por cima.Isto permite estabelecer uma correlação com o sistema nervoso
da medula e o do sistema nervoso autônomo,
que permeiam toda a circulação e metabolismo e que vivenciam e modulam o que
está dentro do corpo.O elemento pássaro que corresponde a esta região geográfica
me parece ter que demonstrar uma íntima correlação e envolvimento e presença
dentro da natureza.Assim o beija-flor com o seu sistema rítmico, coração
extremamente bem desenvolvido, com
ritmo cardíaco variando de mais de 1000 até pouco mais de 20 batidas por
minuto,dependendo se está em grande movimento e velocidade ou dormindo e
hibernando, com sua capacidade absoluta de dominar o movimento e o espaço,de
poder voar em todas as direções, também para traz e de barriga para cima, de
poder a partir do movimento permanecer totalmente estático,sugando o néctar, o
fato de defender seu território de forma incisiva e audaciosa (briguenta),me
parece imagem externa desse sistema nervoso que permeia nosso sistema circulatório
e metabólico, que faz de tudo um todo e que é instrumento do EU corporal.
Quando olho para o beija- flor parece que ele tem a ver também com esse sentido
de equilíbrio, que tem uma posição dentro do espaço extremamente radical
onde a partir da dinâmica consegue ficar estático. Alguns insetos também
andam para trás e para frente, mas entre os pássaros talvez haja, eu não
conheço outro. Parece que ele é representante do sistema nervoso mas já é
proprioceptivo (o que está dentro do nosso corpo). O fato de sabermos da
organização do espaço e tudo o que é dinâmica no nosso andar, correr, ir
para trás e para frente, tem a ver com a organização do sentido do movimento
e do equilíbrio, que é a vivência da gravidade e essa nós temos porque nas
articulações da ossatura de sustentação existem receptores, órgãos
sensoriais que percebem a pressão que uma articulação faz sobre a outra. Eles
vivenciam a gravidade. A pressão nos braços ou no maxilar nós não
vivenciamos, mas nos tornozelos, nos joelhos, nos quadris e na coluna existem
esses receptores de pressão ou gravidade e eles nos permitem nos
colocarmos no espaço e a todo o
instante sabermos em que posição ou que movimento estamos exercendo, e também
tudo o que tem a ver com movimento, mas o movimento,sendo este já ligado à
musculatura,é de um elemento dinâmico e não estático.
O
beija-flor me parece um ser rítmico, com toda
essa plasticidade, vivendo em todas as alturas e lugares, perto da praia,
no alto da montanha, permeando toda a América; realmente ele tem um sistema rítmico
muito forte! Faz parte do sistema nervoso, do
mundo astral, da cabeça, mas da parte da sensibilidade, do sistema
nervoso que permeia o nosso corpo, aquele que
corresponde ao sentido do momento do equilíbrio, aquele que é proprioceptivo,
que está dentro do corpo, enquanto o sentido do eu do outro, do pensamento do
outro, da linguagem do outro, está externado, nos projeta para fora, e, estamos
dentro do corpo através do movimento e do equilíbrio e do bem ou mal estar
corporal(sentido vital).
Nosso pulmão está mais perto da cabeça e nos relaciona nas
suas forças formativas com os mundo das representações, assim Steiner fala do
pulmão. Conseguimos o domínio sobre a respiração, conseguimos inibir a
respiração, temos certo domínio. Não temos o mesmo domínio sobre o coração,
somente de forma indireta, se nos emocionarmos, assustarmos ou entusiasmarmo-nos
com alguma coisa,nesse caso o coração reage. O coração é um órgão
sensorial do metabolismo, da circulação do sangue e da nossa inserção no
movimento e na gravidade terrestre através dos membros. No sistema rítmico o
pulmão é o representante do pólo superior, e o coração
que é também mais inconsciente, é o representante do metabolismo no
sistema rítmico. No movimento do coração temos entre a sístole e a diástole
um momento em que ele pára, e aí é que surge a consciência de tudo o que está
dentro do nosso corpo, que permeia o metabolismo. Provavelmente tem a ver com
todos esses sentidos metabólicos, sentidos
da vontade, sentidos inconscientes, mas que são extremamente poderosos.
As pessoas não sabem o poder que tem o equilíbrio em nós, a vivência
do espaço, mas para alguém que teve labirintite, a vivência
de que, de repente, tudo roda e o mundo inteiro roda, é conhecida. Isso
é o sentido da gravidade e do movimento que faz parte do nosso metabolismo e
membros e tem muito mais poder
subjetivo sobre nós do que imaginamos.
Resumindo, temos o movimento e o equilíbrio e ambos são rítmicos,
a idéia é por aí. O coração é o órgão sensorial do metabolismo e o pulmão
é o que nos reporta ao nosso vínculo com
o mundo sensorial externo, dos sons, dos significados das coisas que ouvimos dos
Eus dos outros. Esse mundo sensorial externo que chamamos de mundo cultural
chega a nós e comungamos aquele âmbito de uma língua, ou linguagem, com os
que falam a mesma língua.
Os povos aqui no Brasil tiveram características mais
femininas e nos Andes mais masculinas. Nas raízes se mostra mais a característica
do antigo, são mais duras. Aqui elas são dissolvidas facilmente; não que não
existam também. Quando há muito de raiz há muito passado e muita memória. As
forças mais étnicas que são forças de raiz, o nacionalismo, os gêneros
masculino e feminino estão em decréscimo, estão perdendo cada vez mais a força.
Isso tem a ver com as forças dos arcanjos tanto progressistas como decadentes.
O que existe hoje em dia como nacionalismo são arcanjos decadentes: o nazismo e
esses movimentos similares são plenamente decadentes. Da mesma forma, a divisão
religiosa ou racial também não traduz a busca cosmopolita.
É certo que existe um passado e experiências de vida, mas sem propósitos
e anseios o ser permanece sem evolução, uma vez que é nos propósitos que está
a força de vontade. Aquilo que abrange, que faz o ser humano tomar rumo, faz
com que ele caminhe.
Sobre esta questão, é
bom lembrar alguns fatos característicos do Brasil onde antes dos portugueses
chegarem existia a língua de matriz tupy que era usada nos contatos comerciais,
e onde os africanos que chegam, vindos de várias regiões, falando várias línguas,
também aprendem aqui a língua comum. . O colonizador, além de se casar com as
mulheres do “Povo da Terra” se miscigenando,
também aprende a falar a língua local e só muito mais tarde impõe a
sua própria língua. São pequenas coisas para serem consideradas, mas não
devem ser deixadas de lado. Estes dados interessantes, talvez mostrem o talento
para o cosmopolitismo (cidadão do mundo). -Colocação
da Marli - Olhando a revolta dos malês
cabe a pergunta se não foram dizimados
justamente por quererem permanecer fechados em suas línguas e culturas”.
Estes podem ser elementos
significativos sobre o papel do coração, do pulmão e do beija flor. A nossa
“raiz” já veio assim, é de abertura, dá talento para o elemento
cosmopolita. A geografia humana é tão importante quanto os dados geográficos
físicos. Algo chama as pessoas para cá, que é, que creio ser, o movimento, a
alegria, a comunicação e a musicalidade. Frase
de alguém outro no grupo: “São o caráter do
que as pessoas que vêm para cá acham daqui ou dos que nascem aqui”.
A alegria, o ritmo e a música têm mais a ver com o sangue e
movimento.
Talvez nós que nascemos aqui ou viemos para cá, tenhamos
vindo para aproveitar dessas forças que vêm das hierarquias e que criam aqui
potencialidades que vão nessa direção.
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